
Por trás dos bastidores: O caos e a glória do nosso evento Corporate em Marvila
O diário de bordo de um Diretor de Marketing sobre os desafios reais de converter um armazém abandonado num evento tecnológico de alto impacto.
Ainda sinto aquele aperto no estômago quando me lembro da primeira vez que visitei o espaço para o lançamento da nossa nova aplicação B2B. A administração tinha sido muito clara: o evento precisava de ser inovador, tecnológico, e o orçamento era, para ser simpático, altamente otimizado. Eu queria fugir dos centros de congressos de hotel, que me pareciam sempre frios e sem alma. Quando entrámos num antigo pavilhão abandonado em Marvila, com tetos altíssimos e vigas de ferro enferrujadas, soube que era ali. O problema? O espaço não tinha luz, internet, ou sequer casas de banho suficientes.
Planear um evento corporativo do zero, num espaço 'em bruto', é um teste de resistência. Tive de me transformar num engenheiro de logística. As primeiras semanas foram passadas em reuniões com fornecedores técnicos apenas para validar quadros elétricos. O eco naquele pavilhão de metal era ensurdecedor, e garantir que a apresentação do nosso CEO seria ouvida com clareza exigiu a contratação de uma empresa de audiovisuais especializada em som direcional e tratamento acústico temporário.
Os momentos críticos que definiram o sucesso da noite:
- A triagem à entrada: Eventos focados em investidores não podem falhar no primeiro contacto. Nada mata mais o 'mood' do que uma fila de 20 minutos para o check-in. Implementámos uma receção com tablets e leitura de QR codes, suportada pelas listas do nosso Dashboard da Épico, o que nos permitiu saber exatamente quem já estava na sala e avisar o CEO quando os nossos 'VIPs' entraram no pavilhão.
- A revolução do catering: Como o evento era num formato de networking 'after-work', recusámos o buffet tradicional que obriga as pessoas a segurar pratos e talheres. Optámos por ilhas de 'showcooking' de fusão asiática e sul-americana. Os chefs preparavam tacos de atum e baos de cogumelos à frente dos convidados. A comida ia diretamente para a mão, permitindo que a conversa sobre negócios nunca parasse.
- O puzzle da montagem: No dia anterior, tive um pequeno ataque de pânico. Tínhamos o camião da iluminação, a carrinha das flores, a equipa de catering e os seguranças todos a tentar entrar no mesmo portão ao mesmo tempo. Percebi que sem uma timeline rigorosa, ia haver acidentes. Partilhei o cronograma minuto a minuto através da plataforma com todos os fornecedores, garantindo que as cadeiras só entravam depois dos cabos de som estarem colados ao chão.
No final, quando as luzes LED iluminaram o pavilhão e vi os ecrãs gigantes a correrem a nossa app sem uma única falha de internet, o alívio foi indescritível. O evento foi um sucesso comercial tremendo e ensinou-me uma lição inestimável: num evento B2B, a criatividade do espaço só brilha se a logística e a coordenação de bastidores forem impecáveis.
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