
Os custos ocultos de uma quinta 'barata': Como acabei a pagar o dobro em alugueres
Quando um espaço vazio com uma renda baixa parece o negócio do século, mas as faturas de geradores, casas de banho e tendas mostram a realidade logística.
O maior erro de avaliação que eu e o meu marido cometemos durante o planeamento do casamento foi achar que éramos mais espertos do que o mercado. Visitámos várias quintas dedicadas a eventos e achámos que os valores de aluguer (entre os 3.000€ e os 5.000€ só pelo espaço) eram um roubo. Um dia, encontrámos um anúncio no Olx de um senhor que alugava a sua herdade particular, com uma planície maravilhosa e um celeiro antigo, por meros 800€. Assinámos o contrato na hora, a celebrar a nossa genialidade financeira. Seis meses depois, o nosso orçamento rebentou por todos os lados.
O que as pessoas (e nós) não percebem é que uma quinta de eventos não cobra o aluguer apenas pela paisagem. Cobra pela infraestrutura pesada. A herdade 'barata' que escolhemos era um terreno lindo, sim, mas era apenas isso: terra e paredes. Quando contratámos o catering, o Chef foi ao local e as más notícias começaram a chover. Não havia cozinha industrial, não havia potência elétrica para fornos e não havia casas de banho para 120 pessoas.
A lista das surpresas financeiras:
- A crise energética (Geradores): O celeiro só suportava a eletricidade equivalente a uma moradia familiar. Para aguentar a cozinha industrial do catering, as luzes do DJ e os aquecedores, tivemos de alugar um gerador a gasóleo gigante que nos custou quase 900€, mais o combustível e o técnico responsável para o vigiar.
- Estruturas básicas (Casas de banho e Copa): Como a casa principal não podia ser usada, tivemos de alugar atrelados de casas de banho de luxo portáteis (1.200€) e uma tenda de retaguarda totalmente fechada e iluminada para a equipa do catering preparar a comida em condições de higiene (600€).
- Mobiliário e logísticas pesadas: As quintas de casamentos costumam ter mesas e cadeiras próprias, que incluem no preço. Nós tivemos de alugar absolutamente tudo: mesas, 120 cadeiras, sofás para a zona de lounge, candeeiros para a rua, e pagar taxas altíssimas de frete de transporte porque o local era no meio de uma estrada de terra batida de difícil acesso.
No final de contas, o espaço 'barato' de 800€ acabou por nos custar perto de 6.000€ só em infraestruturas e alugueres básicos, sem contar com a dor de cabeça tremenda de coordenar estas empresas todas. A moral da história? Um venue profissional faturado a 4.000€ que já tem eletricidade tri-fásica, cozinha, WCs limpos, licenças e segurança não é caro. É uma barganha pela vossa paz de espírito.
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